“Passar a semana inteira a papar museus”

Na semana passada os museus reabriram pela segunda vez, após mais um confinamento que levou ao fecho das suas portas. Esta reabertura foi alvo de notícia por parte da comunicação social e também foi anunciada pela Direção Geral do Património Cultural. Mas confesso que o que mais me marcou foi a “reportagem” feita pelo Portugalex que ouvi na Antena3.

Porta do Museu Nacional de História Natural e da Ciência
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Grada Kilomba e George Orwell entram num bar.

As minhas últimas leituras, embora numa primeira impressão não tivessem nada em comum, acabaram por me fazer criar conexões que me surpreenderam. O que têm em comum George Orwell e Grada Kilomba? Uma profunda reflexão sobre a língua enquanto sistema de poder sobre o pensamento.

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Escola online… outra vez.

Ontem começou mais uma temporada daquilo que, na essência, é tudo menos Escola. A Escola é para se viver com o corpo, com todos os sentidos possíveis, em comunhão com os que dela fazem parte. No entanto, tendo em conta as circunstâncias, compreendo esta tomada de decisão. Apenas lamento a azáfama em que os professores têm estado para preparar mais uma fase do ano letivo em modo digital, da mesma forma que partilho da angústia de muitos pais que se vêm sem mãos a medir para conseguirem teletrabalhar e dar apoio aos filhos.

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O que cabe neste livro?

Elefantes Não Entram de Lisa Mantchev ilustrado por Taeeun Yoo, Bichinho de Conto.

“Numa sociedade, se houver espaço, nunca há conflito”. Esta frase de Afonso Cruz (em “Jesus Cristo Bebia Cerveja”) podia muito bem ser uma apreciação deste Elefantes Não Entram. Como é que uma frase tão séria, de um livro para adultos, pode ser tão certeira para caracterizar um livro para crianças? Porque se trata de um livro que aborda um assunto muito sério e cada vez mais urgente. Esta história faz-nos refletir sobre a diferença que existe entre tolerar e conviver; entre aceitar diferenças e viver diariamente com elas. Viver numa aldeia global é isto. Como criar espaços de convivência harmoniosa e respeitadora quando atravessamos uma época em que, cada vez mais, se ouvem vozes segregacionistas? Como desconstruir os mitos à volta do outro, em que o ser diferente ou divergente é sinónimo de exclusão?

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Uma cerveja preta, se faz favor.

O primeiro livro que li do Afonso Cruz foi “A Boneca de Kokoschka”. A narrativa prendeu-me profundamente durante dois dias de leitura, algo que não me acontecia há muitos anos, mais precisamente desde a adolescência. Parte da ação passa-se durante a 2ª Guerra Mundial; a outra parte, no pós-guerra. Penso que, de um modo geral, todas as pessoas consideram que uma guerra é uma coisa má (ou então é ingenuidade minha pensar assim), mas neste livro, o autor faz questão de nos demonstrar detalhes do que é isso de viver uma guerra.

Toda a narrativa é pincelada de arte, não fosse Kokoschka o nome de um pintor. As artes marcam presença e a filosofia também. Trata-se de uma leitura que me tocou profundamente.

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Vou só ali votar.

Passei os meus 17 anos a ansiar fazer 18. Fazer 18 anos pode ser um marco na nossa vida. Para mim foi, pois teve um significado muito especial: já podia votar. Ansiava poder usufruir do meu direito. Nasci numa família que sempre falou de política e sempre valorizou esse ato. Usei o meu poder de voto logo no ano seguinte, numas presidenciais.

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O que cabe neste livro?

Menino Menina, de Joana Estrela, Planeta Tangerina

Por estes dias fará dois anos que frequentei uma formação sobre género na infância no Teatro Municipal São Luiz. Esta formação foi feita a par com a exibição do espetáculo “É pró menino e prá menina” de Catarina Requeijo. Embora o assunto não me fosse de todo desconhecido, a verdade é que aquele momento de partilha me ajudou a refletir sobre estas questões. Aquilo que definimos como género masculino ou feminino está fortemente ligado aos costumes de uma dada comunidade ou da cultura de uma sociedade.

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Uma espécie de crónica

Estávamos a meio do mês de janeiro de 2020 quando decidi comprar a agenda do ano. Quem me conhece sabe que sou da velha guarda: não me habituo à agenda do telemóvel, preciso de escrever no papel, de riscar o que foi anulado, de fazer um visto no que foi feito. Além disso iria acabar a licença de maternidade a 1 de abril. Precisava de me organizar. Mas voltar a trabalhar no dia 1 de abril foi de facto uma grande mentira.

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O que cabe neste livro?

tao – fragmentos do caminho chinês do Mestre Laozi, Manuel Ollé e Neus Caamaño. Pequena Fragmenta.

Este foi o primeiro livro que comprei durante o confinamento em março desde ano. E não podia ter escolhido melhor. Tal como para muita gente, este confinamento teve para mim o significado de ficar sem trabalho. Eu estava quase a terminar a minha licença de maternidade e já tinha algumas atividades agendadas. Estava super entusiasmada com o regresso, sentia saudades do meu trabalho. Não nego que foi esta temporada em casa que me permitiu acompanhar muito mais o meu filho nos seus primeiros meses de vida; essa foi sem dúvida a parte positiva de tudo isto.

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E vocês sabem se eu sou cigana?

Iniciei um projeto novo com uma das turmas de 2º ano. Andava cheia de vontade de lançar este desafio a esta turma particular: por um lado, porque são aqueles que mais necessidade têm revelado de momentos para pensar, pensar criticamente sobre certos assuntos. Por outro lado porque, até à data, são o grupo que demonstrou uma maturidade capaz para desconstruir esses mesmos assuntos.

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