Esculturas da Natureza

Um dia destes, quando estava a inserir novos eventos do website Cultura Acessível (um projeto da Acesso Cultura), fiquei a saber que as Grutas da Moeda fazem visitas acessíveis com recurso a pictogramas e materiais em Braille.

No passado fim de semana tive a oportunidade de ir visitar estas Grutas e o respetivo Centro de Interpretação Científico-Ambiental que, diga-se honestamente, tem uma coleção de minerais incrível, bem como lindos fósseis (sou fã de nautilus e da sua relação com a sequência de Fibonacci). Naquele momento voltei a ter 11 anos, altura da minha vida em que andava indecisa entre ser egiptóloga ou geóloga. Quis o destino que não fosse nenhuma destas duas profissões mas abracei uma que me permite trabalhar com todas estas áreas do conhecimento.

O centro está organizado de forma a que possamos compreender as formações rochosas da zona e eu acho fascinante saber que determinados lugares já estiveram completamente submersos!

A história destas grutas é caricata, pois foram descobertas por acaso. Em 1971, dois caçadores que perseguiam uma raposa, seguindo o animal, entraram para o algar conhecido como Algar da Moeda, descobrindo uma gruta composta por várias galerias naturais com autênticas esculturas da Natureza, como as estalactites e as estalagmites. Tem uma extensão viável de 350 metros atingindo uma profundidade de 45 metros partido do ponto da entrada.

Este é um dos locais onde são feitas visitas com recurso a outras formas de comunicação, nomeadamente os materiais em Braille e os pictogramas (Comunicação Aumentativa e Alternativa), desenvolvidos pelo Instituto Politécnico de Leiria – e sobre isto podem saber aqui.

Tragédia grega em ruínas romanas.

Na semana passada fui ver Antígona, uma tragédia grega clássica com assinatura de Sófocles, encenada por André Murraças. Antígona é irmã de de Isménia, Polinices e Etéocles. Por querer dar um funeral digno ao irmão Polinices, ao ser encontrada a enterrar o corpo do irmão, Antígona é condenada a ser enterrada viva por Creonte, um tio que tomou o poder e que decretou que o corpo de Polinices devia ser abandonado, ficando à mercê dos animais. No fundo, a heroína desta história personifica o pensamento livre e a emancipação das mulheres numa época em que a população feminina não tinha qualquer tipo de voz política.

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Pela democracia.

Anne Applebaum é uma jornalista que escreve este livro com uma visão macro daquilo que se passa na política internacional. O Crepúsculo da Democracia é, no fundo, um alerta para todos aqueles que acreditam na vida assente na política democrática.

A autora começa por nos contar qual era a lista de convidados que ela o marido tinham para a festa de passagem de ano de há 20 anos. Todos os convidados, incluindo Anne e o marido, eram daquilo que se considera a ala direita democrática do espectro político. É interessante a análise que faz, contando as transformações que se deram desde essa época até aos dias de hoje, em que metade da lista de convidados se voltou para o populismo e o discurso extremista, atraídos para a visão de uma sociedade sob um regime ditatorial.

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“A Humanidade caminha para um suicídio coletivo”

Fui ver a peça “Calígula morreu, eu não”, no TNDMII, encenada por Marco Paiva com texto de Clàudia Cedó. Este foi o primeiro contacto que tive com o trabalho dos atores da companhia Terra Amarela, e estreei-me também como espectadora de um espetáculo que tem em palco atores Surdos e atores com deficiência. Há aqui uma particularidade a dar destaque – a peça é falada nas quatro línguas dos atores que lhe dão vida: Português, Espanhol, Língua Gestual Portuguesa e Língua de Signos Espanhola.

Fotografia retirada da folha de sala do espetáculo.
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Não há boas ditaduras.

Aviso à navegação: ao longo deste texto faço referência a algumas das passagens mais chocantes do livro Cisnes Selvagens de Jung Chang, editado pela Quetzal. Faço esta ressalva para que, caso mergulhem na leitura desta minha reflexão, não sejam apanhados desprevenidos.

Quando decidi ler Cisnes Selvagens não estava muito consciente do mundo que iria descobrir. Penso que é uma leitura que toda a gente devia fazer. Jung Chang apresenta uma narrativa de não ficção que abraça uma multiplicidade de estilos: um romance histórico autobiográfico.

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O que cabe neste livro?

Tu e Eu e Todos de Marcos Farina, Orfeu Negro

Que somos todos diferentes, isso já não é novidade. As crianças sabem ler muito bem as diferenças que existem entre si e não me refiro apenas às diferenças físicas: as maneiras de ser, os modos de estar também são comtempladas pelas avaliações que fazem às pessoas. Tal como acontece com os adultos, é natural sentirem mais empatia com uns colegas, do que com outros.

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Pode a palavra equilíbrio ser sinónima de ecossistema?

O Museu Nacional de História Natural e da Ciência inaugurou, como tantos outros museus, exposições em plena pandemia. Esta foi uma delas. Esta exposição comissariada por Cristina Branquinho desafia-nos a conhecer, dentro do espaço de 1200 metros quadrados, os principais ecossistemas portugueses, repartindo-se assim por dez ecossistemas: urbano, montanhoso, florestal (incluindo bosque, montado e estepe), maciços calcários (incluindo grutas), sistemas aquáticos (águas rápidas, águas lentas, paul), estuário, costa arenosa, costa rochosa, oceanos e ecossistemas insulares, com enfoque nos Açores e na Madeira.

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“Eu não morri”

No passado dia 23 de abril fui ver o espetáculo do Teatro Griot, O Riso dos Necrófagos na Culturgest. Dirigido por Zia Soares, esta peça de teatro/dança/performance está concebida, para nos captar a atenção e o pensamento. Este espetáculo é uma chamada de atenção para não perpetuar o esquecimento dos horrores vividos na Guerra da Trindade ou massacre de Batepá. Trata-se de mais um episódio sangrento fez parte do processo de desumanização que foi o colonialismo português.

Imagem: Teatro Griot
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