Com as mãos na digitinta

Explorando a digitinta, sala 2 anos, 2010

Enquanto educadora sempre gostei que as crianças sentissem liberdade para brincar, sujar, explorar, sentir… Mexer nos materiais, sentir a sua textura, a sua temperatura. As sensações são algo que associo aos momentos de paragem e contemplação tão necessários ao nosso bem estar.

Embora após uma prática de digitinta o resultado final seja a estampagem de uma mancha de cor numa folha que é exposta numa parede, o seu processo diz muito mais que o resultado. A criança fica focada no que está a fazer, está a desfrutar daquele processo de exploração ativa: momentos de digitinta (tal com vários outros momentos), proporcionam o desenvolvimento da concentração, dos movimentos articulares das mãos (motricidade fina), da coordenação óculo-manual…

Só após esta experiência do “fazer e mexer” se passa para o plano da produção de algo de forma intencional. No que diz respeito à educação estética, a necessidade de algo previamente pensado antes da criança começar a pintar ou desenhar “deriva de um hábito que vem das outras disciplinas escolares, onde o assunto (…) tem um valor absoluto, é a unidade de medida (…) em função do qual o trabalho do aluno é medido, apreciado, corrigido” (Gonçalves 1991, 12). Há que deixar a criança ser criança. Há que deixar espaço para que se exprima naturalmente e é neste espaço que se proporciona o auto-conhecimento. Assim, a expressão livre é um factor estruturante para o desenvolvimento harmonioso do indivíduo que, quando “praticada na mais tenra idade, cedo prepara a criança para, ao longo dos anos do seu crescimento, encontrar um modo saudável de se comportar criativamente nas mais diversas situações que lhe surgem” (Gonçalves 1991, 3).

Sejamos honestos: são várias as vezes em que a vida nos pede para sermos criativos. Há que apostar numa educação que nos dê ferramentas para fazer face às contrariedades e às coisas inesperadas que vão surgindo.

Referências

Gonçalves, Eurico (1991). A Arte Descobre a Criança. Raiz Editora.

Publicado por anasofianunes

Educadora, mediadora cultural e da leitura

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